1.2021 | Estabelecimentos de Diversão Noturna – novas realidades – 1


O projeto Noite Saudável das Cidades do Centro de Portugal (NSCCP) inicia aqui a publicação (em vídeo e texto) de um conjunto de conversas com responsáveis de estabelecimentos de diversão noturna de concelhos da sua área de abrangência em que, no âmbito do subprojeto Capacitação de Profissionais de Estabelecimentos de Diversão Noturna, contactámos responsáveis por estes espaços procurando obter as suas respostas e opiniões sobre, muito em particular:

– Quais as qualidades da noite de Coimbra Antes da pandemia Covid? E quais os problemas mais importantes aí sentidos?

– Em que medida a pandemia Covid afetou e afeta a atividade dos estabelecimentos? Quais as perspetivas para o futuro?

– Que medidas gostariam que fossem tomadas para, numa fase posterior à pandemia Covid, melhorar as condições da vida recreativa noturna da sua cidade?

Coube a Jorge Gouveia Monteiro, em representação do seu espaço – Liquidâmbar – dar início a estas conversas, tendo como interlocutor Paulo Anjos, da equipa técnica do projeto NSCCP e responsável pelo subprojeto Capacitação de Profissionais de Estabelecimentos de Diversão Noturna.

Leia abaixo a transcrição da entrevista ou assista aqui.


Jorge Gouveia Monteiro – Nós estamos aqui no Liquidâmbar, que é fundamentalmente uma casa do tempo do Eça de Queiroz e do Antero – já não direi do Garret – enfim, os nomes desta zona da cidade todos eles falam da força com que na pré-república a cidade cresce através da Avenida Sá da Bandeira. Portanto, a burguesia que já não se sentia confortável nas ruínhas da baixa e da alta constroem as suas casas, e portanto, é esta casa de uma delas. No fundamental quase todas as vivendas desta zona – o chamado bairro Santa Cruz, ainda com o nome da antiga quinta do Convento de Santa Cruz – constroem aqui e a cidade cresce para norte nesta direção, à custa da tal quinta do Convento de Santa Cruz, porque as ordens religiosas vão perdendo força para a República, para os ideais republicanos. Eu transformei este piso nobre da casa num espaço que é fundamentalmente… o conceito disto é um espaço de regresso de uma determinada geração à praça da República. Provavelmente vamos falar alguma coisa sobre isso, mas a Praça estava – e ainda está – não é uma andorinha única como esta que pode fazer a primavera – a Praça estava e ainda está muito dependente de uma monocultura académica, muito em torno da animação de alguma “etilização” exagerada dos consumos e, gradualmente, a minha geração – a geração do 25 de Abril e dos anos 80, 90 – foi-se afastando desta parte da cidade e, portanto, o movimento que eu pretendi provocar foi: estando ao nível do 1.º andar, não estando dependente diretamente dessa animação do rés-do-chão o fundamental está resolvido – já tem quem a satisfaça – criar um espaço de cultura, ligada a música, ligada às artes plásticas – temos uma sala de exposições – aos lançamentos de livros, aos debates, às reuniões portanto uma certa "movida" de discussão, e aproveitando o melhor que a cidade tem que é um certo gosto pelo debate, por um lado, e por outro lado um certo cosmopolitismo que apesar de tudo Coimbra tem. Nós acabámos por acolher aqui muita gente de várias nacionalidades. Claro que os programas Erasmus ajudam muito a isso mas a presença de uma forte comunidade brasileira, africana em Coimbra… italiana, iraniana enfim… todo um conjunto de pessoas que acabaram por responder a esse gosto pelos concertos, pela nossa maneira de estar, que acabaram por vir. Portanto, é muito agradável verificar que, de facto, as pessoas que tinha sede de vir à Praça da República, mas não sabiam muito bem onde – ou então iam ao Teatro Gil Vicente e depois queriam ir beber um copo mas não queriam ir para os shots – queriam um espaço talvez mais sossegado – também não quero dizer mal dos meus colegas, da concorrência – mas queriam um espaço mais sossegado para estar e acabam por vir aqui ter com gosto. E isso até é agradável.

Paulo Anjos – Não sei se queres falar um bocadinho sobre o Condomínio da Praça.

JGM – Gradualmente com a nossa abertura – já fizemos 2 anos e meio, vamos fazer 3 anos em Janeiro – fomos tentando fazer pontes com os nossos pares aqui da zona. E criou-se um grupo de trabalho muito engraçado, que fez o ano passado as comemorações do 5 de Outubro – já que é Praça da República e tem esta história Republicana associada – bom, então já que a República na cidade só fala em romagens ao cemitério e deposição de flores no busto de António José de Almeida, em Celas, Fizemos uma demonstração de que podemos fazer coisas em conjunto, e fui muito interessante verificar – não tivemos uma visão muto estrita da Praça da República, fomos buscar a Casa das Artes, Centro de Artes Plásticas, outros da praça como o Teatro Gil Vicente, o Café Académico, a Casa de Chá da Sereia, enfim… o Aqui Base Tango. Isto foi, digamos, o "comité central" do 5 de outubro, a "Carbonária". Mas depois fui muito giro ver A Farmácia, o Cambridge School, montes de gente que acabou por se envolver, que se sentiu agradado com esse sentimento de pertença. Vamos fazer agora, em conjunto, uma descida do rio nos próximos dias de setembro e pode ser que a coisa pegue! Não há um dogmatismo de fazemos sempre igual, sempre o 5 de outubro. A verdade é que nós quase que adivinhávamos que este ano não iria ser possível fazer uma coisa deste tipo e a coisa correu bem. Temos contactos frequentes com a Associação de Promoção da Baixa, que tem uma problemática diferente da da Praça – várias problemáticas diferentes da Praça – mas que é uma coloração bastante boa, sobretudo agora que há uma nova direção da Agência e portanto, provavelmente, conseguiremos que o Município nos oiça, um dia destes. Já pedimos várias reuniões para tratar – aliás convosco também – de várias questões que exigem, de facto, uma postura diferente do poder político local democrático. Neste momento sinto que a Praça já tem alguma personalidade para servir de interlocutor desses mesmos poderes, portanto vamos melhorar mais as coisas.

PA – Nós estamos numa altura especial – o Covid – mas, na tua opinião, havia algumas qualidades, embora tenhas feito este bar com algumas especificidades próprias… acreditas que antes do Covid havia coisas boas na noute de Coimbra?

JGM — Havia Coimbra boas. Esta cidade é uma cidade notável de vários pontos de vista. Mesmo do ponto de vista cultural é uma cidade com uma produção muito interessante. Estava a pensar sobretudo aqui nos organismos académicos, no Teatrão, na Escola da Noite, no Teatro Gil Vicente, de uma forma mais descentrada agora o Convento de São Francisco. É uma cidade onde acontecem coisas. Sentimos aqui muito a falta de uma boa rede de transportes

PA – Estás a falar da problemática do transporte das pessoas à noite?

JGM – Se as pessoas sentem a obrigação de trazer o carro, está logo um bocado inquinado, e depois começam aquelas vozes que tem que se estoirar a Praça para colocar os carros debaixo do chão – felizmente nunca aconteceu – mas eu tenho alguma expectativa, e os meus colegas também, que a implementação do metrobus em vez de … os carros que aqui passam, possa facilitar que uma pessoa levar em 4 ou 5 minutos venha da Solum, ou da Estação Velha, ou na zona do Loreto, portanto seja mais fácil de vir ao centro da cidade, à Praça, do que é hoje. As pessoas começam logo a perspetivar que não tem lugar para o carro, e andam aí às voltas e desistem. Portanto, que essa dependência do automóvel particular se esbata para que as pessoas sintam muito mais à vontade para vir. Esse é um problema real que existe, não vale a pena escamotear, mas que eu espero que melhore. O Covid pôs em evidência essa dependência excessiva da monocultura académica. Portanto, desaparecendo o turbilhão estudantil ainda antes da Queima – desapareceu em março – claro que se houvesse outro tipo de força cultural na cidade que mantivesse alguns hábitos teria sido possível manter mais atividade nesta zona.

PA – Se te estou a perceber… se a indústria da noite tivesse capacidade de oferecer um conjunto factores culturais, não sendo só a oferta do copo e da… poderia haver…

JGM – Sim, teríamos mantido… julgo que a maior parte daqueles como nós que fechámos em abril e maio – e outros até durante o mês de junho – não teriam fechado se se mantivesse uma atividade mais regular de exposições de artes, de pequenos consertos, etc., em março julgo que teria sido muito difícil manter isso mas depois, à medida que se foi desconfinando aos poucos, teria sido possível. Por exemplo muitos de nós gostaríamos de fazer coisas ao fim da tarde, antes das pessoas irem para casa, quando saem do trabalho. Em Coimbra é quase impossível produzir eventos ao fim da tarde porque os hábitos arraigados são muito… ir nas filas de trânsito jantar e depois de jantar é que se decide. Normalmente decide-se não sair, com a pandemia claro que ficou tudo agarrado ao sofá mas se houvesse mais hábitos criados desse tido, mesmo em relação à Casa da Cultura e outras forças que aqui poderiam… o Teatro Gil Vicente, etc., teria sido possível manter mais esta atividade. Portanto não se ter notado tanto o fosso do verão todo. Estamos a sair desse fosso – estamos em final de Agosto – e estamos a sair desse fosso, é notório mas ainda há alguns receios. Percebe-se que ainda há camadas da população que ainda estão receosas ou que se desabituaram. Vamos ver os hábitos que se criam e os que se perdem, mas as coisas estão a melhorar.

PA – Então aqui o espaço foi bastante atingido…

JGM – Fomos muitíssimo atingidos. Fomos obrigados a recorrer ao lay-off durante 2 meses e depois ao lay-off parcial durante mais 1 mês e tal, mas naturalmente que há despesas fixas que são absolutamente impossíveis de evitar, e ficamos com seríssimas dificuldades para aguentar a bolada. Estamos agora a sair e a retomar uma atividade normal que seja compensatória.

PA – E no futuro quais são as perspetivas, boas, más?

JGM – Bom, se de facto nós conseguimos esse diálogo com o poder municipal, se se perceber que a Praça da República – não basta que nos digam para por umas mesas lá na bolacha da calçada – e que o poder municipal possa olhar para esta zona da cidade com outra atenção eu julgo que poderá haver boas perspetivas para o ano que vem. O ano que vem é um ano de eleições autárquicas, é um ano de muita obra pública, não apenas por ser eleições mas já percebi que há muita coisa que vai coincidir: as margens do rio, a Estação Velha, a Casa do Sal, várias zonas da cidade que vão estar envolvidas numa certa convulsão de obra, mas pode ser um ano, também por isso, bom para perceber que a cidade… por exemplo, uma ideia tão simples como aquela que nós temos para expor ao município no decorrer destas reuniões, que é fazer da Praça de República uma interface da receção ao caloiros. Nós estamos numa cidade com uma riqueza cultural em que podemos receber os caloiros que vêm para Coimbra em torno dos grandes poetas da cidade, programas em torno da canção de Coimbra, em vez de rituais “praxísticos” de iniciação, mais ou menos humilhantes ou mais ou menos desinteressantes do ponto de vista social – não quer dizer que não possam coexistir, ninguém tem que ser obrigado a ser culto ou a instruir-se, isso é quando é pequenino que tem que ir para a escola – mas podia ser muito interessante e eu há pouco falei nos nomes das ruas aqui à nossa volta, em torno dos escritores, dos poetas da cidade, dos cantores da cidade, fazer programas. É um desafio que nós temos para o município para fazer com gosto, não estamos à espera de criar uma associação para ser subsidiada, sem desprimor para aqueles que o fizeram – o Quebra Costas, zona da baixa – não tem de ser assim. Pode haver apoios interessantes, incentivos interessantes, já que o município se interesse por aquilo que nós fazemos já pode ter muito importante. Tudo isso pode vir a conferir à Praça – mesmo do ponto de vista físico da Praça da República não está resolvido. Agora está disfarçado com mais esplanadas, parece ter mais vida, mas durante muito tempo o que houve foi tendas – a Feira do Livro, a Feira do Artesanato, isto e aquilo – mas a Praça do ponto físico de vista tem o monumento do 25 de Abril que ficou aqui nas traseiras, onde era a PIDE, não rediscuto essa opção, foi a opção possível na época, foi melhor do que não ser ter feito. Mas, naturalmente, a Praça da República poderia ser o grande speakers corner de Coimbra. Ter, do ponto de vista físico, um sítio onde as pessoas pudessem, de uma forma muito mais simples, dizer: não vamos para o Liquidâmbar, discutimos já aqui!, e ter ali uma pequena aparelhagem. Eu encontrei isso há pouco tempo, um pequeno anfiteatro à grega, numa aldeiazinha de Trás-os-Montes – Pitões das Júnias, lá em cima. Há coisas tão simples que podem ser feitas ou sinais que se podem dar às pessoas em relação à vida aqui nesta zona da cidade e eu espero que sim, que a razão vai fazendo seu caminho e as boas ideias, podem de momento ser novas, com o tempo acabam por prevalecer.

PA – Sim parece uma excelente ideia. No futuro, perspectivando os transportes que me parece ser algo de importante e desta questão cultural, achas que podiam ser tomadas mais algumas medidas para melhorar as noites de Coimbra, ou seja, já tivemos este espaço que interregno, podemos perspectivar e pensar a noite Coimbra se calhar de uma forma mais…

JGM – Quando ponho o acento na cultura é muito porque me custa que a diversão e a animação sejam inimigas da cultura. Há pouco falei das questões do consumo de álcool, que são de facto absolutamente excessivas as situações que verificavam, portanto, este interregno pode ajudar a pensar melhor os tipos de consumo, mas tem que haver alguma contrapartida. Eu não acredito que uma abordagem muito proibitiva, então em relação ao álcool acho que as experiências estão mais que feitas, que não é a abordagem. Portanto é possível repensar a diversão e a animação muito ligadas ao consumo de acontecimentos culturais, de eventos culturais, julgo que podem estar criadas as condições para isso na medida em que as estruturas que viviam da animação e da diversão pura e simples foram obrigadas a repensar um bocado a sua atividade. E assim como nós que fechávamos às 11 (horas) tivemos que começar a fazer refeições à noite, também sei que houve outros países que sentiram a necessidade de ter outro tipo de ofertas para que as pessoas lá voltem. Tudo isso está em discussão…

PA – Relativamente aos transportes eu acho que a questão, para as pessoas que vivem de Coimbra e para as pessoas que vivem fora de Coimbra também, acho que durante algum período, na minha perceção, Coimbra à noite atraía pessoas que viviam fora, hoje em dia tenho a ideia que não será muito assim. Não sei se houvesse aquela ideia da rede de transportes que a pessoa utiliza, deixa o carro longe do centro da cidade e utiliza o transporte para se deslocar.

JGM – É notório que a grande maioria das populações à volta de Coimbra não tem autocarros à noite. Isso é uma limitação brutal porque exclui logo imensa gente de vir à cidade. E estamos a falar, apesar de tudo, de um concelho – só para falar do concelho, já não estou a falar de Montemor ou Mealhada – só no concelho de Coimbra com 140 e tal mil habitantes, 50 mil ficam logo de fora. Ou vem alguém que os traga em carro próprio entupir ainda mais a que cidade, ou estão pura e simplesmente a impedi-los de ter consumos culturais à noite. A melhoria da rede de transportes parece-me absolutamente crucial – referi há bocado à rede de parques periféricos, antigamente chamada Ecovia, nas principais entradas da cidade. Eu isso tenho a ideia de que é possível haver cultura, acontecimentos importantes, às 6 da tarde, às 7 da tarde, antes de ir para casa e até diversificando as horas de ir para casa, um pouco à espanhola ou de alguns países do norte e do centro da Europa – eu lembro-me do meu espanto quando, em Praga, fui ao Teatro Negro, ao teatro de marionetas, e todos os espetáculos eram às 6, 7 da tarde e, portanto, as pessoas iam ao teatro, ou aos concertos, e depois às 8 da noite iam para casa felizes da vida, ou já tinham bebido um copo também, no bar antes, no meio ou a seguir ao espetáculo e iam para casa felizes da vida, preparados para pegar no trabalho às 7 ou às 8 da manhã. É uma cidade onde começa o trabalho bastante cedo! Eu acho que isso só é possível com uma atividade concertada, porque um estabelecimento como este, ou dois ou três, no conjunto da cidade começarem a fazer isso significa pagar aos músicos, aos atores, aos artistas e não ter gente, porque os hábitos não se mudam de um dia para o outro. Passaria por uma concertação de forças ao nível da cidade de maneira a poder de fazer isso e acho que era muito bom para toda a vida da cidade. Até porque um estabelecimento como este que abre às 16h e outros que abrem às 18h e está ali até às 10 da noite com muito pouca gente, gastando os mesmos encargos fixos, os mesmo salários, etc., podia ter uma oferta mas repartida pelo horário de funcionamento se tivesse coisas às 6, às 7, às 8, porque neste momento está tudo concentrado das 9:30 ou 10 da noite – ou das 11 – em diante. É um bocado anormal aquilo que sucede… são pistas!

PA – A noite em Coimbra, provavelmente também será assim nas outras cidades portuguesas, começa cada vez mais tarde ou começava antes do Covid, e isso é um problema, que as pessoas estão muito mais compactadas em espaços, já de si muito reduzidos, mesmo para o bem-estar e saúde dos mais jovens que saem mais à noite.

JGM – Se estiverem mais distribuídos ao longo de mais horas, até mesmo essa ideia de diversão igual a noite, e a noite muito avançada, alta noite, digamos assim, esbater-se-ia. É possível fazer coisas muitíssimo interessantes sem serem às 2 da manhã.

PA – Claro, claro. Não sei se tens mais alguma coisa para dizer, os nossos temas foram mais ou menos abordados.

JGM – Não, eu fazia um apelo aqui: às pessoas que fruem daquilo que nós produzimos, mas também em todos os estabelecimentos em redor – o Teatro Gil Vicente, … – não queremos ficar ricos – não nos importávamos – não temos, no fundamental, o objetivo de ficar ricos em pouco tempo, portanto muitas das coisas que aqui se fazem são feitas quase como mecenato das artes – eu só falei do nosso ponto de vista mas se pensarmos que os atores, os músicos, os poetas, os escritores, vivem do reconhecimento do público, levaram uma grande bordoado, estiveram parados e, nalguns casos, com dificuldades de sobrevivência, nós procuramos apoiar essa gente e precisamos que as pessoas sintam isso. Para além de prazer único que têm que é vir aqui consumir um espetáculo – eu por acaso até tenho entradas pagas – consumir o espetáculo que as pessoas se interessassem, mas numa perspetiva mais cidadão, olhar para as casas em que à oferta cultural penso que era bom que elas continuassem. Portanto será empobrecedor para a cidade, a todos os níveis, que haja gente sítios destes que sejam compelidos a encerrar as portas porque, no fundo, os principais destinatários – os cidadãos – irão ser sujeitos desse futuro. Esse era o apelo que eu fazia. Além dos poderes públicos terem uma postura mais virada para a cultura. Menos para o fogo-de-artifício e mais para a cultura. Que os próprios cidadãos e cidadãs soubessem, há uma discussão, há um debate, há um lançamento de um livro, há um concerto, um teatro, há tanta coisa que fazer nesta cidade, e hoje em dia não há sequer, digamos assim, a dependência dos jornais da cidade para saber o que se passa. Nas redes sociais as coisas circulam, a Cooletiva (Revista e site), várias outras organizações que fazem a agenda cultural da cidade, hoje é quase impossível não tropeçar nas agendas. Toda a gente pode saber o que é que vai acontecendo. Tenho mais essa preocupação e eu indo também estou a contribuir para haver uma cidade mais culta mais ativa.

PA – Muito obrigado, vamos continuar a colaborar de certeza.